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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Ecletismo e a Arquitetura

(Royal Pavilion, Brighton, Inglaterra)

Arquitetura Eclética é o nome atribuído à prática acadêmica do mundo ocidental, ocorrida entre as últimas décadas dos século XIX e primeiras do século XX, orientada para questões estilísticas, segundo a qual todos os estilos e tendências históricas da tradição ocidental – grego, romano, gótico, renascentista, barroco, juntamente com arquiteturas exóticas – chinesa, japonesa, indiana, islâmica – são considerados, isoladamente ou conjugados entre si, como tipos ou  modelos para edifícios a serem projetados, podendo ainda fornecer figuras para a composição dos seus murais.                                                                                                                                            

O Ecletismo foi uma tendência de arquitetura muito popular, devido ao fato, de que o arquiteto e seu cliente (média e alta burguesia) falavam a mesma língua, e ambos queriam a mesma coisa. Tal realidade era diferente de outros movimentos modernos de vanguarda, por exemplo, que faziam uma arquitetura intelectualizada, utilizando conceitos que exigiam um nível de abstração e conhecimento, que o público ainda não possuía.
(Galleria Vittorio Emanuele de Milão - Itália)

A prática eclética serviu bem ao público burguês de então, e os problemas “higiênicos” (crescimento descontrolado da população das cidades industriais - epidemias - sistema de esgoto e drenagem precários); funcionais, tecnológicos, e de conforto, foram nivelados aos problemas estéticos e estilísticos. É neste momento que ocorre a dissociação entre o construtivismo e a arquitetura, o que muitas vezes vai exigir a
colaboração entre um engenheiro e um arquiteto nas grandes obras, como estações ferroviárias, nos mercados, museus, teatros, etc. E ao arquiteto, nesta época, foi reservado um papel secundário, segundo uma crítica pejorativa que durou até meados do século XX, tachando-o de “decorador de fachadas.”
(Petit Palais de Paris - França)

(Palácio de Reichstag im Winter - Berlim - Alemanha)


No final do século XIX e início do século XX, a arquitetura eclética passa a conviver com outras tendências  dissidentes, como o  Art Nouveau, o Expressionismo, e mesmo o Movimento Moderno.

O Ecletismo no Brasil

Seu auge no Brasil surge nas primeiras décadas do séc. XX, com um grande número de construções públicas e privadas em todo o país, incluindo palácios de governo, teatros, colégios, inclusive influenciando as elites nas construções das suas mansões, até as camadas sociais mais baixas, que também começa a erguer suas residências num estilo eclético simplificado, dentro de seus recursos limitados.
Na medida em que o Estado brasileiro desejava se afirmar internacionalmente junto às grandes potências capitalistas, edificando em larga escala segundo os princípios mais "modernos" e internacionalizantes, uma burguesia emergente colaborava na proliferação de edificações monumentais, com interiores extremamente luxuosos e fachadas sobrecarregadas de ornamentos, a fim garantir sua aparência, seu "status", e igualmente expandir o mercado da construção civil, e o sistema de produção que ela mesma administrava.
Entre os arquitetos que mais se destacaram nesta época, estão Filinto Santoro, atuando em várias partes do Brasil, Ramos de Azevedo, e Domiziano Rossi em São Paulo. No Rio de Janeiro, destacou-se o arquiteto Heitor de Meloe no Rio Grande do Sul, Theodor Wiederspahh. Vejamos algumas obras:

(Teatro Municipal de São Paulo - Ramos de Azevedo, Domiziano Rossi)

(Pinacoteca do Estado de São Paulo - Ramos de Azevedo, Domiziano Rossi)

(Palácio das Indústrias de Sâo Paulo - Domiziano Rossi)

(A antiga Cervejaria Brahma de Porto Alegre -RS - Theodor Wiederspahh)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Arquitetura Indígena no Brasil

Em frente a grande precariedade de dados históricos disponíveis, e a grande diversidade de culturas indígenas brasileiras, fica quase que impossível retratar cada uma delas em particular.
Sabemos que o Brasil sempre foi habitado por índios antes do descobrimento, e depois houve o contato com os jesuítas, com os colonizadores, os negros africanos, os bandeirantes, ao longo dos anos, caracterizando-se em uma rica fusão de culturas, exceto aquelas regiões mais distantes do litoral, aonde a ação colonizadora não penetrou, ainda prevalece uma forte influência tipicamente brasileira.

Mas por que "índio"? Só a título de lembrança ou curiosidade, quando os portugueses e jesuítas chegaram no Brasil, eles achavam que tinham chegado na Índia. Então, aos nativos que habitavam o litoral, foram classificados como "Tupi" (língua solta), e os nativos do interior como "Tapuia" (língua travada), dividiam-se em três grupos - Caraíbas (canibais do Amazonas), Aruaques (ilhotas do Amazonas próximas do Oceano Atlântico) e Jês (região central).

Voltando a arquitetura indígena...

Aldeia ou Taba


É formada por um conjunto de 04 a 10 ocas, aonde residem várias famílias indígenas (ascendentes e descendentes), podendo chegar à 400 pessoas.
A forma mais comum presente nas habitações indígenas são as aldeias, também conhecidas por tabas. Tal solução arquitetônica, foi utilizada em grande escala pelos índios tupis, e índios guaranis do sul do Brasil.
Essas construções são distribuídas de forma ortogonal, de modo a formar uma grande praça central, na qual podem ser realizadas atividades cotidianas, festas, cerimônias e rituais sagrados. Cada uma dessas casas é denominada de "oguassu, maioca ou maloca (casa grande)", sendo dividida internamente pela estrutura do telhado em espaços quadrados de 6m x 6 metros, onde reside em cada uma delas, uma família. Este espaço é denominado oca (tupi) ou oga (guarani). O tamanho de cada casa, depende do tamanho da tribo, podendo chegar a mais de 200 metros de comprimento. Geralmente, não passavam de 150 metros de comprimento, por cerca de 12 metros de largura. Os indígenas eram sedentários. Quando uma casa ficava velha, e a cobertura em palha extremamente seca, era queimada e outra de igual formato era construída em seu lugar. A maneira de residir era muito controlada, respeitava-se ainda a vivência dos demais habitantes da casa, antes de tomar qualquer decisão.
A casa era o lugar preferencial das mulheres. Ali elas exerciam suas atividades do lar, e no corredor central, próximo aos pilares que sustentam a cumeeira, preparavam o alimento da tribo. No final deste corredor havia uma entrada em cada extremidade da maloca, e no meio da casa, no lado que dava para o pátio, havia uma terceira. Esses acessos eram baixos, obrigando cada pessoa a se abaixar em sinal de respeito. Este tipo de oca circular, com a cumeeira apontada para cima, foi muito utilizada pelas tribos Jês e Xavantes. Toda construção é realizada pelos homens, as mulheres apenas socam o barro que irá ser assentado no chão.


A tribo dos índios Carajás ocupavam as margens do rio Araguaia, e desenvolveram uma forma de aldeia ainda mais complexa. Construíam casas com estrutura reforçada, constituídas por 3 arcos paralelos, cada um formado por um par de pilares fincados no chão, e vigas para que possam ser amarradas, em suas extremidades, na cumeeira. Os carajás antigos já costumavam fazer suas casas no formato retangular.



Já a tribo dos índios do Xingu (centro-oeste), constroem suas ocas fazendo referência ao corpo de um animal ou de um homem. A parte frontal da habitação determina que seja o peitoral, assim como os fundos sejam as costas. O chão representa a solidez da casa, aonde serão cravados os pilares de sustentação, e toda a sua estrutura. A ala íntima da casa, é diagramada pelos semi-círculos laterais, e são designados como  as "nádegas" da casa. A vedação com ripas de madeira e bambu, referem-se as costelas, e o revestimento das paredes seriam os pêlos ou cabelos, assim como a cumeeira faz referência a cabeça. O tipo de construção dos xinguanos se assemelha muito com a tribo dos índios Morubos, pois ambas  construções são antropomórficas, associando a construção a uma espécie de proteção xamânica.




Yanomami

Os índios Yanomamis, ocupam a região norte do Amazonas, e constroem suas aldeias em formato circular, chamando-as de "shabonos". Seu dimensionamento é feito conforme o número de ocupantes que abriga, e normalmente reside apenas um grupo familiar em cada casa.
Possui um grande vão central, chegando a quase 15 metros, que é coberto por folhas de palmeiras, sobre a estrutura de galhos e varas. O homem cuida da construção em si, enquanto a mulher fica responsável para coletar os galhos, os cipos que servirão para amarração das estruturas, e as folhagens de bananeira para vedação.



O que diferencia uma aldeia e outra entre as tribos indígenas brasileiras, é a condição climática, e a disponibilidade de materiais regionais, como elementos e detalhes construtivos. 
A maior parte das aldeias utilizava a amarração de cipós nas estruturas de madeira. Vejamos alguns tipos:
Assim como utilizavam entalhes no madeiramento das estruturas para facilitar o encaixe das peças, e a amarração com os cipós:

Herdamos alguns termos indígenas na arquitetura:  biboca (casa pequena),  caiçara (palhoça),  capuaba (casa da roça),  copé (cabana de palha),  copiar (varanda),  favela (casa miserável cujo significado indígena é urtiga), jirau (armação para guardar apetrechos, cama de varas), maloca (o mesmo que favela; e, em tupi quer dizer casa grande), oca (cabana ; em tupi significa casa), poperi (abrigo provisório), taba (aldeia indígena),  tapiri (choça),  tijupá  ou  tijupara  (cabana de índio), urupema (peneira; por extensão, ramado semelhante usado na vedação de portas, janelas e de forro). Quando os termos não são pejorativos, trata-se de construções que o colonizador adotou da cultura indígena: carijó, barbaquá: (instalações para produção de erva-mate); ou são de origem das culturas inca ou asteca (cancha, chácara, galpão, tambo). 
Uma das características das casas indígenas é sua construção integral com materiais vegetais. Isso tem levado alguns autores a identificar qualquer tipo de construção vegetal como sendo de influência indígena. É necessário ter muito cuidado para estas qualificações! Precisamos estar atentos para a natureza e a etnia das ocupações, para não nos confundirmos.























segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Arquitetura Neoclássica - O Romantismo

Essa tendência se desenvolveu no final do séc. XVIII e nos primeiros trinta anos do séc. XIX, marcada pela forte influência burguesa da época, após a Revolução Francesa e o Império de Napoleão.
O objetivo do Neoclassicismo era resgatar os princípios da antiguidade greco-romana e do renascimento italiano.
A Arquitetura Neoclássica se destaca pela volumetria horizontal, transparecendo ao observador a idéia de grandiosidade em suas fachadas, assim como a noção de conforto à nível interno. Surge uma arquitetura "compacta" se contrapondo com o estilo Barroco. Aqui, a verticalidade é meramente secundária. O projeto arquitetônico volta-se para a idealização de plantas quadradas, retangulares. Revaloriza-se os materiais de construção pelas suas próprias características (sem enganos visuais), pedra é pedra, mármore é mármore, etc. A arquitetura desta época busca refletir os interesses econômicos e políticos da sociedade como um todo, e não apenas a centralização soberana de um grupo, como ocorria na arquitetura sacra Barroca.


Igreja de Santa Genoveva (Panteão Nacional de Paris) construída pelo arquiteto Jacques Germain Souflot. A planta dispõe-se em forma de cruz grega, com um pórtico de seis colunas e um frontão onde se encontram diversas esculturas de David d´Angers. Após a Revolução Francesa, a igreja foi transformada no Panteão Nacional de Paris.

Na América do Norte, destaca-se o Capitólio de Washington, prédio que hoje serve como a sede do legislativo dos Estados Unidos da América. O edifício se destaca por uma cúpula central e por duas alas, cada qual para uma das câmaras do Congresso: na ala norte encontra-se o Senado, enquanto na ala sul situa-se a Câmara dos Representantes. Acima destas câmaras, localizam-se galerias a partir das quais os visitantes podem assistir as sessões. E sobre a cúpula encontramos a estátua da liberdade. O Capitólio de Washington está implantado a 1.6 Km da Casa Branca.


Brasil


A Arquitetura Neoclássica no Brasil, se deu na época da vinda da família real para o Brasil e durante a Independência, trazendo uma cultura mais requintada para o novo solo na qual se instalava. Buscando inspiração na antiguidade clássica, e satisfazer suas próprias necessidades, procuraram criar bibliotecas, teatros, colégios, e é claro vários palacetes!

O Neoclassicismo Brasileiro, se dividia praticamente em duas correntes - Uma voltada ao estilo europeu, provindo das importações da côrte portuguesa, e outro mais simplificado nascido entre os proprietários de terras e escravos. Se uma parte da arquitetura neoclássica brasileira refletia a construção de órgãos públicos e oficiais, a outra limitava-se em grandes casarões e palacetes das famílias de alto poder aquisitivo, espalhadas pelo litoral brasileiro.
Sendo assim, as arquiteturas neoclássicas brasileiras são de pequeno vulto, visto que as de grande vulto necessitavam de mão-de-obra de qualidade, e alguns materiais de construção dependiam das importações e da aprovação do Império. Mesmo assim, sem triar o mérito do estilo, o mesmo deixou várias heranças no Brasil, inclusive semeou um novo estilo que estaria por vir... O Ecletismo.

No Brasil, um marco da Arquitetura Neoclássica, é a Escola de Artes e Ofícios - RJ (Imperial Academia de Belas Artes)






Palácio Imperial do Rio de Janeiro-RJ
Também conhecido por Palácio São Cristóvão e Quinta da Boa Vista, foi o local aonde residia a família real  na época do Império. Atualmente abriga a sede do Zoológico Municipal do Rio de Janeiro.












Arquitetura Barroca e Rococó


Originalmente nasceu na Itália, mas depois o Barroco se alastrou por toda Europa, chegando inclusive ao continente americano, trazido por colonizadores portugueses e espanhóis.

Embora muitos saibam que o estilo Barroco expresse um meio de propagar o catolicismo e ampliar sua influência no meio cultural do século XVI e XVII, o Barroco na arquitetura traduz uma libertação espacial das geometrias convencionais vista até o presente momento. O Barroco implica na negação absoluta das divisões dos espaços vazios, da interpretação horizontal ou vertical de formas arquitetônicas complexas, vistas anteriormente. As obras barrocas rompem o equilíbrio entre o sentimento e a razão, ou entre a arte e a ciência que os renascentistas procuravam demonstrar em suas construções. No Barroco predomina a monumentalidade, as emoções exageradas, a arte-sacra e rebuscada,  e não o racionalismo renascentista.


Um bom exemplo da Arquitetura Barroca, é a Cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. A planta original da cúpula foi projetada por Michelangelo. Após sua morte, logo no início da construção da Basílica, as obras foram repassadas ao arquiteto Giacomo Della Porta.
















Também temos a Praça de São Pedro projetada por Bernini:
Vejam que a praça é de forma elíptica, cercadas por duas grandes colunatas cobertas, que se estendem em curva, uma para a esquerda e outra para a direita, estando suas extremidades ligadas a fachada principal da Basílica de S.Pedro. Sobre essas colunas estão dispostas 162 estatuas em mármore, cada uma com 2.70m de altura.







Outro exemplo da Arquitetura Barroca, é o Palácio de Versalhes na França:




O Palácio de Versalhes foi construído inicialmente pelo arquiteto francês Louis Le Vaul em 1.660 a pedido do rei Luís XIV. Após a morte de Le Vau, sua construção foi finalizada pelo arquiteto Jules Hardouin Mansart.  

Se para os renascentistas os conceitos de volume e simetria caminhavam juntos, para a arquitetura barroca o que valia era a teatralidade e obras monumentais, provocando diferentes efeitos visuais, tanto no exterior, quanto no interior das construções. 

Na maior parte da Europa, foram construídos palácios tão imponentes como o de Versalhes, com imensos jardins, aproximando-se do estilo que estaria por vir - o Neoclassicismo.

No Brasil, o estilo Barroco foi trazido pelos Jesuítas católicos no séc. XVI, no qual predominam edificações de caráter religioso.

Um bom exemplo da arquitetura barroca no Brasil, é a Igreja de São Francisco, em Salvador-BA. Seu interior é toda esculpida em ouro.

Outro exemplo da arquitetura barroca no Brasil, é a Casa da Câmara e Cadeia Pública de Ouro Preto - MG, conhecida por Museu da Inconfidência Mineira




Arquitetura Rococó

Já o estilo Rococó se manifestou na arquitetura através dos espaços interiores, revestindo e ornamentando paredes dos salões, com cores claras e suaves, grande quantidade de espelhos, motivos florais, todos decorados com estuque. Porém, a parte exterior da edificação de uma arquitetura estilo Rococó, reflete um Barroco sem exageros, relembrando o estilo renascentista italiano, como podemos observar no projeto do arquiteto Jacques-Ange Gabriel - "Petit Trianon" (1762):