segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Arquitetura Renascentista

Para entendermos melhor como funciona a Arquitetura Renascentista, temos que relembrar sua evolução "religiosa" nas edificações. (Ver posts mais antigos)
A proposta na arquitetura renascentista (séc. XV), foi criar espaços onde todos os ângulos visuais, fossem proporcionais entre todas as partes da construção. Ou seja, superasse a idéia de infinitude, de grandiosidade, de superioridade das catedrais góticas. Agora, o ser humano é o centro do universo, e não mais Deus.
A cúpula da Catedral de Santa Maria Del Fiore (Florença), do arquiteto, matemático, escultor, pintor Filippo Brunelleschi é um dos exemplos mais conhecidos.
Brunellechi projetou a cúpula da catedral baseado nos estudos do Panteão e de outras cúpulas da arquitetura romana, chegando a conclusão de que seria viavelmente possível construir a cúpula da Catedral de Santa Del Fiore, assentando-o sobre a estrutura octagonal das paredes já construídas. E essa solução foi tão integrada ao edifício, que parece ter sido criada pelo mesmo arquiteto da igreja como um todo.




A Arquitetura Renascentista foi durante muito tempo, uma via de duas mãos. Enquanto alguns arquitetos preocupavam-se  em apresentar uma novidade para o período anterior, outros renascentistas estavam preocupados com o retorno da arquitetura romana.




Arquitetura Gótica... Muito mais do que Vitrais!

Com a volta da população para as cidades, surge a burguesia em meados do século XII. Apesar da arquitetura românica ainda ser predominante neste período, já inicia-se pequenas mudanças na arte do pensar e do projetar grandes edificações. Mas só a partir do séc. XVI, é que essa nova arquitetura, denominada "Gótica", foi reconhecida pelos estudiosos.
A primeira obra do estilo gótico, surgiu na França em 1140 - Abádia de Saint-Denis. A diferença entre o estilo gótico e o estilo românico, está principalmente na composição da fachada principal. Enquanto a primeira tem como acesso 3 portais de entrada, a segunda possui apenas um portal.
Na Abádia de Saint-Denis e em muitas outras igrejas do séc. XII ao XIV, percebemos que o portal central tem acima dos frisos que emolduram o tímpano, uma grande janela, acima da qual há uma outra redonda, chamada "Rosácea" (característica da arquitetura gótica).

Outras características da arquitetura gótica são: a abóbada de nervuras; o arco ogival que possibilitou a construção de igrejas mais altas; pilares (agora os edifícios, não precisam mais daquelas paredes extremamente grossas para sustentar toda estrutura).

Outra referência da arquitetura gótica, é a Catedral de Notre Dame de Chartres
Seus três portais centrais de acesso, conhecido como Portal Régio, dão acesso à nave central da Igreja de Notre Dame.

E cada um desses portais, apresenta um tímpano totalmente esculpido, narrando momentos diferentes da vida de Jesus Cristo.

Se por um lado, a Catedral de Notre Dame de Chartres nos encanta pela beleza de sua verticalidade estrutural, e pelos belos vitrais do seu interior, a Catedral de Notre Dame de Laon permite a realização do sonho de construir igrejas cada vez mais altas. 
Sua construção data do final do século XII, e o que mais nos chama atenção é sua altura: 22 metros, e extremamente iluminada, graças ao seu número de janelas em todos os níveis da edificação!

Sem sombra de dúvidas, de todas as edificações góticas, a Catedral de Notre Dame de Paris, foi a que introduziu um novo recurso técnico bastante relevante - o ARCOBANTE (arco que transmite a carga de uma abóbada da parte superior de uma parede, para os contrafortes externos (pilares). Essa técnica permitiu fazer com que as paredes laterais, não tivéssem mais a função de sustentar as abóbadas, fazendo com que os arquitetos góticos abusassem do emprego de grandes aberturas, com belos vitrais. 
São 150 metros de extensão por 32,50m de altura... Linda não?!




Com a arquitetura gótica, encerramos essa primeira parte. Porém, com o Renascimento, abriremos nosso segundo volume histórico... rsrs


domingo, 11 de dezembro de 2011

Arquitetura na Idade Média

Este período caracterizou-se pela forte presença clerical, ou seja, o domínio da Igreja (o maior senhor feudal de toda a Idade Média), em todas as atividades sócio, econômicas, políticas e culturais. E a arquitetura não ficou fora disso...
Como a população em geral no Feudalismo não tinha acesso aos livros, e o conhecimento era resguardado apenas aos nobres...Bem, a Igreja era responsável pela contratação dos artistas (construtores, arquitetos, marceneiros, carpinteiros, escultores, pintores, decoradores, etc).
E como diz o ditado - "manda quem pode, e obedece quem tem juizo!"; nesse período a arquitetura se destacou pela construção de várias igrejas e castelos. 
Muitas das atividades intelectuais e culturais se desenvolveram à partir dos pequenos mosteiros. Um bom exemplo disso foi a ilustração dos manuscritos e a pintura dos afrescos. Os motivos usados pelos pintores eram sempre de natureza religiosa - a criação do homem e do mundo, o pecado de Adão e Eva, a arca de Noé, Jesus Cristo e a Bíblia.
O estilo românico foi o mais marcante na arte e na arquitetura medieval. Na arquitetura, destaca-se a Abadia de Cluny no ano de 910 d.C, em Borgonha, França.


As características que mais se destacam na arquitetura românica são:

- Substituição do teto de madeira por abóbadas;
- Grande espessura de paredes e pouco número de janelas;
- Construção de grandes pilares de reforço, internos e externos às paredes, para sustentação das abóbadas e da edificação em si;

- Construção de arcos por meio de arquivoltas (molduras em arcos ornamentadas), na entrada das edificações;
- A planta das Igrejas eram dispostas em forma de cruz, no qual eram distribuídas várias naves que se interligavam.



Normalmente na entrada principal das Igrejas Românicas, existe um óculo (abertura circular para passagem de iluminação e ventilação);

- A construção em pedra destacando a monumentalidade horizontal, a fortaleza, e o "poder da Igreja";
- Forte presença de elementos decorativos (pintura e escultura) internos e externos, em portas, capitéis, colunas, pilares e abóbadas das naves;

- Castelos contendo uma fachada principal, formado por um espaço cúbico central, que normalmente é dividido por duas grandes torres verticais de vários pavimentos, tendo seu teto finalizado em forma de coifa.



P.S.: Algumas dessas características do estilo românico, se repetem também no estilo gótico, que veremos mais adiante....






Equilibrando o círculo sobre o quadrado.

A arquitetura bizantina se destaca pela enorme presença de mosaicos em seus templos religiosos. No entanto merece um destaque especial, a construção de grandes cúpulas sobre a estrutura de plantas quadradas. Um bom exemplo é a Basílica de Santa Sofia, em Istambul na Turquia (antiga cidade de "Constantinopla" ), construída por volta do ano 532 d.C., no antigo Império Romano do Oriente.
No ano de 1453 foi transformada em uma mesquita, e atualmente é utilizada como museu.





A cúpula é formada por quatro arcos e ampliada por duas abóbadas, que por sua vez, são ampliadas por mais cinco pequenas abóbadas.
A cúpula central é circundada por colunas com capitéis super ornamentados, semelhante aos capitéis coríntios.









Toda revestida em mármore, cheia de mosaicos, com uma enorme sucessão de janelas e arcos, criando assim um espaço interno de grande beleza!

Parabéns à todos colegas de profissão!


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Roma - Entre arcos e abóbadas...As curvas!

Arcos e abóbadas, dois elementos arquitetônicos desconhecidos dos gregos, e que permitiram a civilização romana criar espaços amplos, livres dos "paliteiros" (excessos de colunas), muito utilizado na Grécia, visto que a distância entre uma coluna e outra, era limitada pelo tamanho da travessa, ou seja viga. E quanto maior fosse a distância, maior seria a viga, e maior a tensão sobre ela. E como antigamente tudo era feito de pedra, ela nãi iria suportar tamanho esforço de tensão sobre ela. Por essa razão que os templos gregos eram cheios de colunas, o que reduzia bastante o espaço de circulação.
A criação do arco permitiu ampliar os vãos entre uma coluna e outra, permitindo que o esforço sobre ela se distribuísse de modo mais uniforme....
Enquanto os gregos valorizavam a aparência externa se suas construções, os romanos davam mais valor ao espaço interno.


Pode até parecer ironia do destino, mas o Panteão de Roma (conhecido também como Panteão de Agripa), é um dos únicos templos pagãos que hoje é ocupado por uma igreja cristã (Igreja de Santa Maria e de Todos os Santos Mártires).


O Panteão de Roma foi projetado para reunir grande variedade de deuses existentes em todo o Império Romano. Sua arquitetura destaca-se por uma cúpula circular fechada, criando um local aonde o povo se reunia para a prática de seus cultos. Se difere dos demais templos romanos, uma vez que costumavam erguer seus templos num plano mais elevado que a calçada, e os mesmos só tinham acesso através de uma grande escadaria, diferenciando assim a entrada principal das laterais do edifício.

A estrutura em arcos e abóbadas foi utilizada também no teatro romano, propiciando a construção de vários anfiteatros, muito mais amplos do que os teatros gregos. Usando fileiras sobrepostas de arcos criaram o auditório (espaço reservado ao público), não sendo mais necessário assentá-lo nas encostas de morros. Essa solução arquitetônica criada pelos romanos possibilitou a construção desses edifícios em qualquer tipo de terreno.

Os romanos eram grandes apreciadores das lutas entre gladiadores, sendo para eles um espetáculo que poderia ser visto de qualquer ângulo. Sendo assim, os arquitetos romanos perceberam que ter um palco de frente para o público era uma questão limitada. E esse foi um dos motivos principais que levaram os romanos a criarem o anfiteatro circular, rodeado de grandes arquibancadas com um número enorme de assentos. Um bom exemplo deste tipo de anfiteatro é o Coliseu de Roma, chegando a acomodar cerca de 40.000 pessoas sentadas e mais de 5.000 pessoas em pé.












O individualismo grego

Dos povos da antiguidade já vistos até o momento, os que mais apresentaram uma liberdade de produção cultural e arquitetônica, foram os gregos. Livres de imposições religiosas, sacerdotais, ou de reis autoritários, os gregos valorizaram a razão, a individualidade do homem acima da fé, das divindades, e de todas as coisas. No início, as comunidades eram muito pobres, mas com a expansão do comércio, e o contato com outros povos, inclusive com os egípcios, e orientais próximos, as cidades-estado da Grécia prosperaram.
Na arquitetura grega, as edificações que despertam o maior número de olhares, são os templos, mas não os templos religiosos, e sim um espaço para proteger as esculturas dos seus deuses e deusas.
A característica mais presente nos templos gregos era a simetria, entre a entrada (pronaos) e os fundos (opistódomo). Basicamente seu núcleo era composto pelo pronau, pelo naos (espaço aonde ficava a imagem de uma divindade) e pelo opistódomo. Este núcleo era cercado por várias colunas chamadas "peristilos". 


Era construído sobre uma base de três degraus, no qual o degrau mais elevado é chamado de "estilóbata". E sobre ele eram erguidos os peristilos e as paredes do templo.

Essas colunas sustentavam um entablamento horizontal, formado por três partes (arquitrave, friso e cornija). E conforme a ordem que seguiam os templos, os mesmos eram construídos em estilo dórico ou jônico.
A ordem dórica, os elementos presentes eram simples e maciços. Já a ordem jônica sugeria elementos mais leves e mais ornamentados. E lá no final do século V a.C., é que surgiu o capitel coríntio, que foi muito utilizado no lugar do capitel jônico, como um modo de variar e enriquecer aquela ordem ou estilo.

Até o século V a.C., as habitações eram muito modestas e apenas as edificações públicas eram construídas com suntuosidade. Um século depois é que as casas foram ganhando mais espaço e conforto.
Esse sentimento individualista manifestou-se também no teatro grego. Antes o teatro grego era composto de um espaço circular chamado "orquestra", onde se apresentavam as danças típicas e encenações. Havia uma arquibancada em semi-círculo, que normalmente era construída na encosta de um morro. O palco era apenas um espaço onde os atores se preparavam para entrar em cena, e guardavam suas roupas e acessórios. Um exemplo desta construção é o Teatro de Epidauro:
Com o passar do tempo, os atores teatrais foram ganhando uma importância maior para a dramaturgia, então a arquitetura teatral teve que se adaptar a essa nova realidade. Era necessário realmente um palco, mas com a função que conhecemos hoje - garantir um espetáculo e não servir de camarim.
Os cenários que antes ocupavam o o telhado do proscênio (uma pequena construção de um andar apenas), passam a fazer parte do palco. E essa idéia do teatro, de aproximar a platéia com relação ao público,  amadurece tempos depois com a civilização romana...