terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Arquitetura Indígena no Brasil

Em frente a grande precariedade de dados históricos disponíveis, e a grande diversidade de culturas indígenas brasileiras, fica quase que impossível retratar cada uma delas em particular.
Sabemos que o Brasil sempre foi habitado por índios antes do descobrimento, e depois houve o contato com os jesuítas, com os colonizadores, os negros africanos, os bandeirantes, ao longo dos anos, caracterizando-se em uma rica fusão de culturas, exceto aquelas regiões mais distantes do litoral, aonde a ação colonizadora não penetrou, ainda prevalece uma forte influência tipicamente brasileira.

Mas por que "índio"? Só a título de lembrança ou curiosidade, quando os portugueses e jesuítas chegaram no Brasil, eles achavam que tinham chegado na Índia. Então, aos nativos que habitavam o litoral, foram classificados como "Tupi" (língua solta), e os nativos do interior como "Tapuia" (língua travada), dividiam-se em três grupos - Caraíbas (canibais do Amazonas), Aruaques (ilhotas do Amazonas próximas do Oceano Atlântico) e Jês (região central).

Voltando a arquitetura indígena...

Aldeia ou Taba


É formada por um conjunto de 04 a 10 ocas, aonde residem várias famílias indígenas (ascendentes e descendentes), podendo chegar à 400 pessoas.
A forma mais comum presente nas habitações indígenas são as aldeias, também conhecidas por tabas. Tal solução arquitetônica, foi utilizada em grande escala pelos índios tupis, e índios guaranis do sul do Brasil.
Essas construções são distribuídas de forma ortogonal, de modo a formar uma grande praça central, na qual podem ser realizadas atividades cotidianas, festas, cerimônias e rituais sagrados. Cada uma dessas casas é denominada de "oguassu, maioca ou maloca (casa grande)", sendo dividida internamente pela estrutura do telhado em espaços quadrados de 6m x 6 metros, onde reside em cada uma delas, uma família. Este espaço é denominado oca (tupi) ou oga (guarani). O tamanho de cada casa, depende do tamanho da tribo, podendo chegar a mais de 200 metros de comprimento. Geralmente, não passavam de 150 metros de comprimento, por cerca de 12 metros de largura. Os indígenas eram sedentários. Quando uma casa ficava velha, e a cobertura em palha extremamente seca, era queimada e outra de igual formato era construída em seu lugar. A maneira de residir era muito controlada, respeitava-se ainda a vivência dos demais habitantes da casa, antes de tomar qualquer decisão.
A casa era o lugar preferencial das mulheres. Ali elas exerciam suas atividades do lar, e no corredor central, próximo aos pilares que sustentam a cumeeira, preparavam o alimento da tribo. No final deste corredor havia uma entrada em cada extremidade da maloca, e no meio da casa, no lado que dava para o pátio, havia uma terceira. Esses acessos eram baixos, obrigando cada pessoa a se abaixar em sinal de respeito. Este tipo de oca circular, com a cumeeira apontada para cima, foi muito utilizada pelas tribos Jês e Xavantes. Toda construção é realizada pelos homens, as mulheres apenas socam o barro que irá ser assentado no chão.


A tribo dos índios Carajás ocupavam as margens do rio Araguaia, e desenvolveram uma forma de aldeia ainda mais complexa. Construíam casas com estrutura reforçada, constituídas por 3 arcos paralelos, cada um formado por um par de pilares fincados no chão, e vigas para que possam ser amarradas, em suas extremidades, na cumeeira. Os carajás antigos já costumavam fazer suas casas no formato retangular.



Já a tribo dos índios do Xingu (centro-oeste), constroem suas ocas fazendo referência ao corpo de um animal ou de um homem. A parte frontal da habitação determina que seja o peitoral, assim como os fundos sejam as costas. O chão representa a solidez da casa, aonde serão cravados os pilares de sustentação, e toda a sua estrutura. A ala íntima da casa, é diagramada pelos semi-círculos laterais, e são designados como  as "nádegas" da casa. A vedação com ripas de madeira e bambu, referem-se as costelas, e o revestimento das paredes seriam os pêlos ou cabelos, assim como a cumeeira faz referência a cabeça. O tipo de construção dos xinguanos se assemelha muito com a tribo dos índios Morubos, pois ambas  construções são antropomórficas, associando a construção a uma espécie de proteção xamânica.




Yanomami

Os índios Yanomamis, ocupam a região norte do Amazonas, e constroem suas aldeias em formato circular, chamando-as de "shabonos". Seu dimensionamento é feito conforme o número de ocupantes que abriga, e normalmente reside apenas um grupo familiar em cada casa.
Possui um grande vão central, chegando a quase 15 metros, que é coberto por folhas de palmeiras, sobre a estrutura de galhos e varas. O homem cuida da construção em si, enquanto a mulher fica responsável para coletar os galhos, os cipos que servirão para amarração das estruturas, e as folhagens de bananeira para vedação.



O que diferencia uma aldeia e outra entre as tribos indígenas brasileiras, é a condição climática, e a disponibilidade de materiais regionais, como elementos e detalhes construtivos. 
A maior parte das aldeias utilizava a amarração de cipós nas estruturas de madeira. Vejamos alguns tipos:
Assim como utilizavam entalhes no madeiramento das estruturas para facilitar o encaixe das peças, e a amarração com os cipós:

Herdamos alguns termos indígenas na arquitetura:  biboca (casa pequena),  caiçara (palhoça),  capuaba (casa da roça),  copé (cabana de palha),  copiar (varanda),  favela (casa miserável cujo significado indígena é urtiga), jirau (armação para guardar apetrechos, cama de varas), maloca (o mesmo que favela; e, em tupi quer dizer casa grande), oca (cabana ; em tupi significa casa), poperi (abrigo provisório), taba (aldeia indígena),  tapiri (choça),  tijupá  ou  tijupara  (cabana de índio), urupema (peneira; por extensão, ramado semelhante usado na vedação de portas, janelas e de forro). Quando os termos não são pejorativos, trata-se de construções que o colonizador adotou da cultura indígena: carijó, barbaquá: (instalações para produção de erva-mate); ou são de origem das culturas inca ou asteca (cancha, chácara, galpão, tambo). 
Uma das características das casas indígenas é sua construção integral com materiais vegetais. Isso tem levado alguns autores a identificar qualquer tipo de construção vegetal como sendo de influência indígena. É necessário ter muito cuidado para estas qualificações! Precisamos estar atentos para a natureza e a etnia das ocupações, para não nos confundirmos.























segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Arquitetura Neoclássica - O Romantismo

Essa tendência se desenvolveu no final do séc. XVIII e nos primeiros trinta anos do séc. XIX, marcada pela forte influência burguesa da época, após a Revolução Francesa e o Império de Napoleão.
O objetivo do Neoclassicismo era resgatar os princípios da antiguidade greco-romana e do renascimento italiano.
A Arquitetura Neoclássica se destaca pela volumetria horizontal, transparecendo ao observador a idéia de grandiosidade em suas fachadas, assim como a noção de conforto à nível interno. Surge uma arquitetura "compacta" se contrapondo com o estilo Barroco. Aqui, a verticalidade é meramente secundária. O projeto arquitetônico volta-se para a idealização de plantas quadradas, retangulares. Revaloriza-se os materiais de construção pelas suas próprias características (sem enganos visuais), pedra é pedra, mármore é mármore, etc. A arquitetura desta época busca refletir os interesses econômicos e políticos da sociedade como um todo, e não apenas a centralização soberana de um grupo, como ocorria na arquitetura sacra Barroca.


Igreja de Santa Genoveva (Panteão Nacional de Paris) construída pelo arquiteto Jacques Germain Souflot. A planta dispõe-se em forma de cruz grega, com um pórtico de seis colunas e um frontão onde se encontram diversas esculturas de David d´Angers. Após a Revolução Francesa, a igreja foi transformada no Panteão Nacional de Paris.

Na América do Norte, destaca-se o Capitólio de Washington, prédio que hoje serve como a sede do legislativo dos Estados Unidos da América. O edifício se destaca por uma cúpula central e por duas alas, cada qual para uma das câmaras do Congresso: na ala norte encontra-se o Senado, enquanto na ala sul situa-se a Câmara dos Representantes. Acima destas câmaras, localizam-se galerias a partir das quais os visitantes podem assistir as sessões. E sobre a cúpula encontramos a estátua da liberdade. O Capitólio de Washington está implantado a 1.6 Km da Casa Branca.


Brasil


A Arquitetura Neoclássica no Brasil, se deu na época da vinda da família real para o Brasil e durante a Independência, trazendo uma cultura mais requintada para o novo solo na qual se instalava. Buscando inspiração na antiguidade clássica, e satisfazer suas próprias necessidades, procuraram criar bibliotecas, teatros, colégios, e é claro vários palacetes!

O Neoclassicismo Brasileiro, se dividia praticamente em duas correntes - Uma voltada ao estilo europeu, provindo das importações da côrte portuguesa, e outro mais simplificado nascido entre os proprietários de terras e escravos. Se uma parte da arquitetura neoclássica brasileira refletia a construção de órgãos públicos e oficiais, a outra limitava-se em grandes casarões e palacetes das famílias de alto poder aquisitivo, espalhadas pelo litoral brasileiro.
Sendo assim, as arquiteturas neoclássicas brasileiras são de pequeno vulto, visto que as de grande vulto necessitavam de mão-de-obra de qualidade, e alguns materiais de construção dependiam das importações e da aprovação do Império. Mesmo assim, sem triar o mérito do estilo, o mesmo deixou várias heranças no Brasil, inclusive semeou um novo estilo que estaria por vir... O Ecletismo.

No Brasil, um marco da Arquitetura Neoclássica, é a Escola de Artes e Ofícios - RJ (Imperial Academia de Belas Artes)






Palácio Imperial do Rio de Janeiro-RJ
Também conhecido por Palácio São Cristóvão e Quinta da Boa Vista, foi o local aonde residia a família real  na época do Império. Atualmente abriga a sede do Zoológico Municipal do Rio de Janeiro.












Arquitetura Barroca e Rococó


Originalmente nasceu na Itália, mas depois o Barroco se alastrou por toda Europa, chegando inclusive ao continente americano, trazido por colonizadores portugueses e espanhóis.

Embora muitos saibam que o estilo Barroco expresse um meio de propagar o catolicismo e ampliar sua influência no meio cultural do século XVI e XVII, o Barroco na arquitetura traduz uma libertação espacial das geometrias convencionais vista até o presente momento. O Barroco implica na negação absoluta das divisões dos espaços vazios, da interpretação horizontal ou vertical de formas arquitetônicas complexas, vistas anteriormente. As obras barrocas rompem o equilíbrio entre o sentimento e a razão, ou entre a arte e a ciência que os renascentistas procuravam demonstrar em suas construções. No Barroco predomina a monumentalidade, as emoções exageradas, a arte-sacra e rebuscada,  e não o racionalismo renascentista.


Um bom exemplo da Arquitetura Barroca, é a Cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. A planta original da cúpula foi projetada por Michelangelo. Após sua morte, logo no início da construção da Basílica, as obras foram repassadas ao arquiteto Giacomo Della Porta.
















Também temos a Praça de São Pedro projetada por Bernini:
Vejam que a praça é de forma elíptica, cercadas por duas grandes colunatas cobertas, que se estendem em curva, uma para a esquerda e outra para a direita, estando suas extremidades ligadas a fachada principal da Basílica de S.Pedro. Sobre essas colunas estão dispostas 162 estatuas em mármore, cada uma com 2.70m de altura.







Outro exemplo da Arquitetura Barroca, é o Palácio de Versalhes na França:




O Palácio de Versalhes foi construído inicialmente pelo arquiteto francês Louis Le Vaul em 1.660 a pedido do rei Luís XIV. Após a morte de Le Vau, sua construção foi finalizada pelo arquiteto Jules Hardouin Mansart.  

Se para os renascentistas os conceitos de volume e simetria caminhavam juntos, para a arquitetura barroca o que valia era a teatralidade e obras monumentais, provocando diferentes efeitos visuais, tanto no exterior, quanto no interior das construções. 

Na maior parte da Europa, foram construídos palácios tão imponentes como o de Versalhes, com imensos jardins, aproximando-se do estilo que estaria por vir - o Neoclassicismo.

No Brasil, o estilo Barroco foi trazido pelos Jesuítas católicos no séc. XVI, no qual predominam edificações de caráter religioso.

Um bom exemplo da arquitetura barroca no Brasil, é a Igreja de São Francisco, em Salvador-BA. Seu interior é toda esculpida em ouro.

Outro exemplo da arquitetura barroca no Brasil, é a Casa da Câmara e Cadeia Pública de Ouro Preto - MG, conhecida por Museu da Inconfidência Mineira




Arquitetura Rococó

Já o estilo Rococó se manifestou na arquitetura através dos espaços interiores, revestindo e ornamentando paredes dos salões, com cores claras e suaves, grande quantidade de espelhos, motivos florais, todos decorados com estuque. Porém, a parte exterior da edificação de uma arquitetura estilo Rococó, reflete um Barroco sem exageros, relembrando o estilo renascentista italiano, como podemos observar no projeto do arquiteto Jacques-Ange Gabriel - "Petit Trianon" (1762):












Arquitetura Pré-Colombiana... Maias, Astecas e Incas

Civilização Maia



No final do séc. XV, a América foi descoberta pelos espanhóis e portugueses. Enquanto na Europa vivia-se o auge do Renascimento, na América as construções apresentavam uma evolução bem diferenciada.
As civilizações americanas que mais se destacaram nesse período foram: México e Peru.
No sul mexicano, mais precisamente na Península de Yucatan, desenvolveu-se a civilização Maia (1000 a.C), porém, seu desenvolvimento mais significativo se deu entre os 300 - 1000 d.C. Projetaram grandes edificações entre pirâmides e palácios.
A foto acima refere-se ao Templo das Inscrições de Palenque (México).  Abaixo, está o Templo do Sol, também em Palenque:


Contudo, as mais intrigantes das construções Maias, talvez sejam: Templo do Jaguar, Poço Sagrado e de Chichen Itza
A arquitetura Maia esteve sempre muito ligada aos seus ideais religiosos. Os Maias eram politeístas, e também acreditavam na vida pós morte.  Ao lado da arquitetura, a arte Maia se desenvolveu intensamente na escultura, com os monólitos, amplamente coloridos e refinados que decoram os templos e palácios.

Segue abaixo o monólito do calendário Maia:

Civilização Asteca

A última civilização a se desenvolver antes da chegada dos colonizadores, foi a civilização Asteca, entre os meados dos séc. XIV e XVI. Contribuíram para a arquitetura do ponto de vista urbanístico, criando a cidade de Tenochtitlán (atual Cidade do México), situada próxima a ilha do lago Texcoco, de forma bem organizada. Os astecas ergueram grandes pirâmides, templos e luxuosos palácios. Eram também politeístas como os Maias, e também acreditavam no ritual de sacrifícios humanos para deixar os deuses mais tranquilos.
Assim como os egipcios, e povos antigos, retratavam seu cotidiano em todas as formas de arte.

Pirâmide Asteca de  Tenochtitlán


Ao ser invadida pelos colonizadores espanhóis, a cidade foi destruída para a construção da nova Cidade do México, restando apenas algumas ruínas, porque grande parte deste acervo, encontra-se soterrado.
Os espanhóis no intuito de ampliar a nova cidade, aterraram o lago Texcoco, criando então um solo extremamente frágil. A terra não é capaz de suportar o peso das novas construções, o que torna a Cidade do México, um dos piores solos do mundo para se construir... Todas as edificações sofrem recalque nas estruturas, ou seja, a Cidade do México está afundando!

Esse castelo asteca ainda sobrevive... "Palácio de Chapultepec", hoje é utilizado como museu:


Civilização Inca

Desenvolveu-se na região da Cordilheira dos Andes, especialmente no Peru. A arquitetura Inca impressiona pela sua imponência e simplicidade na construção pedra sobre pedra, uma vez que seu único elemento ornamental, são as portas em forma de trapézio (ruas da cidade de Cuzco, e Machu Picchu). 

Por ser uma região afetada pela presença constante de terremotos, os Incas desenvolveram uma técnica construtiva de amarração de pedras, de modo que suas construções ganharam uma resistência frente a movimentação de terra. E os colonizadores espanhóis, percebendo essa grande sacada, usaram os muros incas como suportes para suas próprias construções... Nada bobos esses espanhóis (rsrs).

Machu Picchu foi descoberta somente no ano de 1911, revelando ao homem moderno toda a sua eficiente estrutura urbana de uma sociedade bem antiga... Sua agricultura era muito além do seu tempo, uma vez que plantavam nos chamados terraços (degraus construídos nas costas das montanhas). Plantavam e colhiam milho e feijão (alimentos sagrados) e batata. Construíram canais de irrigação de solo, desviando o curso dos rios para as aldeias.
Como habitavam regiões montanhosas, os incas construíram várias estradas de acesso, todas em pedra.

A arte inca, destacou-se pela qualidade dos objetos esculpidos em ouro e prata, assim como a confecção de tecidos e jóias.










Arquitetura Renascentista

Para entendermos melhor como funciona a Arquitetura Renascentista, temos que relembrar sua evolução "religiosa" nas edificações. (Ver posts mais antigos)
A proposta na arquitetura renascentista (séc. XV), foi criar espaços onde todos os ângulos visuais, fossem proporcionais entre todas as partes da construção. Ou seja, superasse a idéia de infinitude, de grandiosidade, de superioridade das catedrais góticas. Agora, o ser humano é o centro do universo, e não mais Deus.
A cúpula da Catedral de Santa Maria Del Fiore (Florença), do arquiteto, matemático, escultor, pintor Filippo Brunelleschi é um dos exemplos mais conhecidos.
Brunellechi projetou a cúpula da catedral baseado nos estudos do Panteão e de outras cúpulas da arquitetura romana, chegando a conclusão de que seria viavelmente possível construir a cúpula da Catedral de Santa Del Fiore, assentando-o sobre a estrutura octagonal das paredes já construídas. E essa solução foi tão integrada ao edifício, que parece ter sido criada pelo mesmo arquiteto da igreja como um todo.




A Arquitetura Renascentista foi durante muito tempo, uma via de duas mãos. Enquanto alguns arquitetos preocupavam-se  em apresentar uma novidade para o período anterior, outros renascentistas estavam preocupados com o retorno da arquitetura romana.




Arquitetura Gótica... Muito mais do que Vitrais!

Com a volta da população para as cidades, surge a burguesia em meados do século XII. Apesar da arquitetura românica ainda ser predominante neste período, já inicia-se pequenas mudanças na arte do pensar e do projetar grandes edificações. Mas só a partir do séc. XVI, é que essa nova arquitetura, denominada "Gótica", foi reconhecida pelos estudiosos.
A primeira obra do estilo gótico, surgiu na França em 1140 - Abádia de Saint-Denis. A diferença entre o estilo gótico e o estilo românico, está principalmente na composição da fachada principal. Enquanto a primeira tem como acesso 3 portais de entrada, a segunda possui apenas um portal.
Na Abádia de Saint-Denis e em muitas outras igrejas do séc. XII ao XIV, percebemos que o portal central tem acima dos frisos que emolduram o tímpano, uma grande janela, acima da qual há uma outra redonda, chamada "Rosácea" (característica da arquitetura gótica).

Outras características da arquitetura gótica são: a abóbada de nervuras; o arco ogival que possibilitou a construção de igrejas mais altas; pilares (agora os edifícios, não precisam mais daquelas paredes extremamente grossas para sustentar toda estrutura).

Outra referência da arquitetura gótica, é a Catedral de Notre Dame de Chartres
Seus três portais centrais de acesso, conhecido como Portal Régio, dão acesso à nave central da Igreja de Notre Dame.

E cada um desses portais, apresenta um tímpano totalmente esculpido, narrando momentos diferentes da vida de Jesus Cristo.

Se por um lado, a Catedral de Notre Dame de Chartres nos encanta pela beleza de sua verticalidade estrutural, e pelos belos vitrais do seu interior, a Catedral de Notre Dame de Laon permite a realização do sonho de construir igrejas cada vez mais altas. 
Sua construção data do final do século XII, e o que mais nos chama atenção é sua altura: 22 metros, e extremamente iluminada, graças ao seu número de janelas em todos os níveis da edificação!

Sem sombra de dúvidas, de todas as edificações góticas, a Catedral de Notre Dame de Paris, foi a que introduziu um novo recurso técnico bastante relevante - o ARCOBANTE (arco que transmite a carga de uma abóbada da parte superior de uma parede, para os contrafortes externos (pilares). Essa técnica permitiu fazer com que as paredes laterais, não tivéssem mais a função de sustentar as abóbadas, fazendo com que os arquitetos góticos abusassem do emprego de grandes aberturas, com belos vitrais. 
São 150 metros de extensão por 32,50m de altura... Linda não?!




Com a arquitetura gótica, encerramos essa primeira parte. Porém, com o Renascimento, abriremos nosso segundo volume histórico... rsrs