quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Arquitetura Moderna


                                               (Casa da Cascata, de Frank Loyd Wright)


Arquitetura Moderna é o conjunto de movimentos e escolas arquitetônicas que vieram a caracterizar a arquitetura produzida durante grande parte do século XX (especialmente os períodos entre as décadas de 20 e 60), inserida no contexto artístico e cultural do Modernismo. Não há uma ideologia moderna única. Suas características podem ser encontradas em origens diversas como a Bauhaus, na Alemanha; em Le Corbusier, na França, e em Frank Lloyd Wright nos EUA. Muitos historiadores de arquitetura (como Leonardo Benevolo e Nikolaus Pevsner) traçam a gênese histórica do moderno em uma série de movimentos ocorridos em meados do século XIX, como o movimento Arts & Crafts (Artes e Ofícios).

Um dos princípios básicos do modernismo era renovar a arquitetura de modo a rejeitar toda a arquitetura
anterior ao movimento – fato posteriormente questionado pelos pós-modernistas. Considera-se genericamente que tenham existido duas grandes vertentes do movimento moderno: o International Style, de origem européia; e a Arquitetura Orgânica de origem americana.

Apesar de ser um momento multifacetado da produção arquitetônica internacional, o Modernismo manifestou alguns princípios que foram seguidos por vários arquitetos, das mais variadas escolas e tendências. A primeira e mais clara característica é a rejeição por parte dos modernos do repertório formal do passado, e a aversão deles à idéia de estilo. Conjuntamente às vanguardas artísticas que manifestavam-se no período de gênese do moderno (décadas de 1920 e 30), havia no ar um sentimento de construção que levaria à criação e ao estudo de espaços abstratos, geométricos e mínimos. 

Os modernos viam no ornamento, um elemento típico dos estilos históricos, um inimigo a ser combatido:
"produzir uma arquitetura sem ornamentos", tornou-se um desafio constante! Outra característica importante eram as idéias de industrialização, economia e a recém-descoberta noção do design. Acreditava-se que o arquiteto era um profissional responsável pela correta e socialmente justa construção do ambiente habitado pelo homem, carregando um fardo pesado. Os edifícios deveriam ser econômicos, limpos, úteis. Neste sentido, duas máximas permearam o período do moderno: “Menos é Mais” frase cunhada pelo arquiteto Mies Van der Rohe e “A Forma Segue a Função”, do arquiteto Louis Sullivan. Estas sentenças sintetizam bem o ideário moderno, ainda que em vários momentos tenham sido confrontadas.


É possível traçar três principais linhas evolutivas nas quais pode-se encontrar a gênese da Arquitetura Moderna. O que une as três linhas é o fato de que elas terminam naquilo que é chamado de Movimento Moderno na Arquitetura, considerado o clímax de uma trajetória histórica que desembocou na arquitetura realizada na maior parte do século XX.


A primeira destas origens é a que leva em consideração que a ideologia arquitetônica moderna está absolutamente ligada ao projeto da modernidade e, em particular, à visão de mundo iluminista. Esta linha localiza o momento de gênese na arquitetura realizada com as inovações tecnológicas obtidas com a Revolução Industrial e com as diversas propostas urbanísticas e sociais realizadas por teóricos como os socialistas utópicos e os partidários das cidades-jardins. Segundo esta interpretação, o problema estético
aqui é secundário: o moderno tem muito mais a ver com uma causa social que com uma causa estética. 
(Bairro da Encarnação - Lisboa - Portugal - Modelo de Cidade-Jardim, por Ebenezer Howard)


A segunda linha leva em consideração as alterações que se deram nos diversos momentos do século XIX com relação à definição e teorização da arte e de seu papel na sociedade. Esta interpretação dá especial destaque ao movimento Arts & Crafts e ao Art Noveau de uma forma geral, consideradas visões de mundo que, ainda que presas às formas e conceitos do passado, de alguma forma propunham novos caminhos para a estética do futuro.

Uma terceira linha, normalmente a mais comumente entendida como sendo a base do modernismo, é a que afirma que a arquitetura moderna surge justamente com a gênese do movimento moderno, sendo as interpretações anteriores apenas conseqüências desta forma de pensamento. A Arquitetura Moderna surge,
portanto, com as profundas transformações estéticas propostas pelas vanguardas artísticas das décadas
de 10 e 20, em especial o Cubismo, o Abstracionismo -com destaque aos estudos realizados pela Bauhaus, pelo De Stijl e pela vanguarda russa- e o Construtivismo.

A Bauhaus, ou como é conhecida, "Staatliches Hauhaus" (casa estatal de construção), é uma escola
de design, artes plásticas e arquitetura de vanguarda que funcionou entre 1919 e 1933 na Alemanha. A
Bauhaus foi uma das maiores e mais importantes expressões do que é chamado Modernisnmo no design e arquitetura, sendo uma das primeiras escolas de design do mundo. Um de seus principais objetivos era unir artes, artesanato e tecnologia. A máquina era valorizada, e a produção industrial e o desenho de produtos tinham lugar de destaque.




O Arts & Crafts (Artes e Ofícios), foi um movimento estético surgido na Inglaterra em meados do século
XIX. Entre outras idéias, defendia o fim da distinção entre o artesão e o artista. Durou relativamente pouco tempo, mas influênciou o movimento francês da Art Nouveau e é considerado por diversos historiadores como uma das raízes do modernismo do design gráfico, desenho industrial e arquitetura. Era relacionado com o movimento Arts & Crafts e teve grande destaque durante as últimas décadas do século XIX e primeiras décadas do século XX. Caracteriza-se pelas formas orgânicas, escapismo para a natureza e valorização do trabalho artesanal.

A Arquitetura Moderna Internacional teve grandes nomes de referência. Os mais influentes foram: Mies Van der Rohe, Frank Lloyd Wright e Le Corbusier

Mies van der Rohe procurou sempre uma abordagem racional que pudesse guiar o processo de projeto arquitetônico. Sua concepção dos espaços arquitetônicos envolvia uma profunda depuração da forma, voltada sempre às necessidades impostas pelo lugar, segundo o preceito no minimalismo, Less is More (menos é mais). Atuou como professor da Bauhaus e um dos formadores do que ficou conhecido por International Style, onde deixou a marca de uma arquitetura que prima pela clareza e aparente simplicidade. Os edifícios da sua maturidade criativa fazem uso de materiais representativos da era industrial, como o aço e o vidro, presentes na maioria das obras modernas. Grandes referências de sua arquitetura são a Casa Farnsworth e o Pavilhão Alemão da Feira Mundial de Barcelona.
(Casa Farnsworth - Mies Van der Rohe)

(Pavilhão Alemão da Feira Mundial de Barcelona - Mies Van der Rohe)






Frank Lloyd Wright é considerado um dos mais importantes arquitetos do século XX. Foi a figura chave da arquitetura orgânica, um desdobramento da Arquitetura Moderna que se contrapunha ao International Style europeu. Trabalhou no início de sua carreira com Louis Sullivan, um dos pioneiros em arranha-céus da Escola de Chicago. Wright defendia que o projeto deve ser individual, de acordo com sua localização e finalidade. Também influenciou os rumos da Arquitetura Moderna suas idéias e obras. Seus principais trabalhos foram a Casa da Cascata, também conhecida por Casa Kaufmann, e a Sede do Museu Solomon R. Guggenheim, em Nova Iorque.
(Casa da Cascata - Frank Lloyd Wright)

(Sede do Museu Solomon R. Guggenheim, NY - F.L. Wright)


Le Corbusier é considerado juntamente com Frank Lloyd Wright, Alvar Aalto e Mies Van der Rohe, um dos mais importantes arquitetos do século XX. Le Corbusier defendia que, “por lei, todos os edifícios deviam ser brancos”, criticando qualquer esforço artificial de ornamentação. A sua influência estendeu-se ao urbanismo, onde defendia que a cidade do futuro, na sua perspectiva, deveria consistir em grandes blocos
de apartamentos assentados sobre pilotis, deixando o terreno fluir sob a construção, formando algo semelhante a parques de estacionamento. Entre as contribuições de Le Corbusier à formulação de uma nova linguagem arquitetônica para o século XX, encontram-se cinco pontos, tais como: 


- construção sobre pilotis, ao tornar as construções suspensas, cria-se uma inédita relação “interno-externo” entre observador e morador;
- terraço-jardim - com o avanço técnico do concreto-armado, seria possível aproveitar a última laje da edificação como espaço de lazer;
- planta livre da estrutura, o uso de sistemas viga-pilar em grelhas ortogonais geraria a flexibilidade necessária para a melhor definição espacial interna possível;
- fachada livre da estrutura, os pilares devem ser projetados internamente às construções, criando recuos nas lajes de forma a tornar o projeto das aberturas  mais flexível;
- criação da janela em fita, à uma certa altura, de um ponto ao outra da fachada, de acordo com a melhor orientação solar. 
Suas principais obras são a Villa Savoye, na qual aplicou seus cinco pontos, e as Unidades de Habitação em Berlim, onde estabeleceu a prática da construção modular, possibilitando ao arquiteto estudar as proporções humanas aplicadas ao projeto de edificações.


(Residência Villa Savoye - França - Le Corbusier)

(Unidades de Habitação em Berlim-Alemanha - Le Corbusier)



Arquitetura Moderna no Brasil



A história da Arquitetura Moderna no Brasil, é a história de um punhado de jovens e de um conjunto de obras realizado com uma rapidez inacreditável. Em poucos anos, uma idéia que teve apenas o tempo de lançar suas raízes, em São Paulo e no Rio de Janeiro, floresceu e alcançou uma maturidade paradoxal. Não demandou sequer, como se poderia supor, o tempo de uma geração, mas apenas os poucos anos de passagem de uma turma pela escola de arquitetura. 


Em seu ensaio sobre arquitetura brasileira, Lúcio Costa, cujo papel nessa história jamais será suficientemente louvado, ao analisar o período que vai de 1930 a 1940 e que antecede a construção do Ministério da Educação e Saúdeassinala com propriedade que “a arquitetura jamais passou, noutro igual espaço de tempo, por tamanha transformação".

Lúcio Costa, trouxe uma arquitetura mais próxima da realidade brasileira, a única que, ao responder diretamente às exigências do clima e dos materiais, assim como as necessidades do povo, poderia servir de base e de ponto de partida uma interpretação construtiva das necessidades arquitetônicas do Brasil no pós-guerra, ou seja, um país ainda em formação, em busca de uma nova identidade, de um novo reconhecimento à nível internacional.

Examinando mais de perto as características da Arquitetura Moderna brasileira dos dias de hoje, convém assinalar dois fatores que contribuíram decisivamente para a sua formação. O primeiro foi a pesquisa sobre os problemas da insolação. O segundo fator foi o desenvolvimento de uma técnica avançada de uso do concreto armado, que resultou não só em estruturas mais leves e elegantes, mas também em uma economia significativa, em comparação com o custo da construção em outros países. Esses dois fatores estão associados diretamente às duas características mais salientes da arquitetura moderna no Brasil: o emprego de grandes superfícies de vidro, protegidas, quando necessário, por "brise-soleil", e o uso de estruturas livres, apoiadas sobre pilotis, com o térreo aberto quando possível. Essas duas características mostram também a marcante influência de Le Corbusier.

A vinda de Le Corbusier para o Brasil foi de extrema importância como influência para o desenvolvimento da Arquitetura Moderna no país. Ao passar pelo Rio de Janeiro foi convidado a participar do projeto do Ministério da Educação e Saúde, que se tornou um dos principais edifícios da Arquitetura Moderna brasileira. Também influenciou na concepção do MASP (Museu de Artes de São Paulo) e da Cidade Universitária em São Paulo (USP), e na construção de Brasília-DF, (Plano Piloto), da qual lamentou não participar...



Além de Lúcio Costa, o Brasil também conta com um número bastante significativo de arquitetos modernistas deste período, e os  mais influentes são:

Gregori Warchavchik

Russo, naturalizado brasileiro, construiu para si, a primeira residência modernista brasileira, no ano de 1928. Localizada na Rua Santa Cruz, Vila Mariana, São Paulo-SP.









João Batista Vilanova Artigas
Arquiteto brasileiro, professor, sendo um dos maiores representantes da história da arquitetura moderna de São Paulo, tanto pelo conjunto de obras realizadas, como pela formação de vários outros arquitetos. Dentre algumas de suas obras, estão o Prédio da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU), o Estádio Cícero Pompeu de Toledo - Morumbi, etc.






Affonso Eduardo Reidy


Arquiteto brasileiro formado pela Escola Nacional de Belas Artes do R.J. Algumas de suas obras são: Ministério da Educação e da Cultura (Palácio Gustavo Capanema); Museu de Arte Moderna do R.J (MAM); Conjunto Habitacional da Gávea, Conjunto Habitacional Pedregulho, participou do projeto do Aterro do Flamengo, juntamente com Burle Marx; 

















                       






Rino Levi


Arquiteto brasileiro, filho de imigrantes italianos. Em 1921 foi para Itália estudar na  Escola Preparatória e de Aplicação para Arquitetos Civis (Milão), e depois na Escola Superior de Arquitetura (Roma). Retornou ao Brasil no ano de 1926.
Algumas de suas obras mais conhecidas: Banco Sulamericano de São Paulo (atual Itaú); Hospital Israelita de São Paulo - Albert Einstein;




(Residência Olívio Gomes - Rino Levi)

(Residência Milton Guper - Rino Levi)


Lina Bo Bardi

Arquiteta italiana que muito contribuiu se destacou na arquitetura moderna brasileira. Chegou ao Brasil em 1946 e foi responsável pelo uso de novos revestimentos, com desenhos estilosos e arrojados, destacando-se também pelo uso de materiais aparentes (concreto e tijolo), exposições de tubulação, conexões e fiações. Na década de 50, foi professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (FAU-USP), trabalhando também como designer de mobiliários.  De todo seu acervo arquitetônico, destacam-se as seguintes obras:
(MASP - Museu de Arte de São Paulo)

(Teatro Oficina de São Paulo)

(SESC - Pompéia - São Paulo)


Oscar Ribeiro de Almeida de Niemeyer Soares
Arquiteto brasileiro considerado um dos mais influentes na Arquitetura Moderna Brasileira e Internacional. Foi o maior pioneiro das possibilidades e formas plásticas, de se trabalhar com o concreto-armado.
Ao ser questionado sobre arquitetura e suas formas, Niemeyer cita:
"Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher perfeita! De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein".

Formado como engenheiro-arquiteto em 1934, pela Escola Nacional de Belas Artes no RJ, seu primeiro projeto individual construído, foi a instituição filantrópica sem fins lucrativos (assistência social a bebês), conhecida como Obra do Berço (1937), na cidade do Rio de Janeiro.

O Ministério da Educação e da Saúde (1936), pode ser considerado um marco na história da arquitetura moderna brasileira, porque foi projetado pelos arquitetos: Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Carlos Leão, Affonso Eduardo Reidy, Ernani Vasconcellos e Jorge Machado Moreira; tendo como consultor técnico, Le Corbusier.

O Conjunto Arquitetônico da Pampulha, em Belo Horizonte-MG (1944), foi projetado a pedido do então prefeito Juscelino Kubitschek. Trata-se de um conjunto de edifícios em torno do lago artificial da Pampulha, um cassino, uma igreja, uma casa de baile, um clube e um hotel:



O Edifício COPAN (1951) de SP, originalmente construído para abrigar 30 andares residenciais, e uma outra ala com hotel e 600 apartamentos:

A Casa das Canoas (1952) construída por Niemeyer em São Conrado-RJ, para ser a sua própria residência, também é considerada uma grande inovação para a época. A casa foi construída sem alteração do terreno, estando totalmente integrada à natureza:

A Catedral Metropolitana de N.ª Sra. da Aparecida (1958), mais conhecida como Catedral de Brasília, no Distrito Federal, contendo uma área circular de 70 metros de diâmetro:

Em Brasília, enquanto Niemeyer era responsável pelo projeto dos edifícios, Lúcio Costa foi o responsável pelo planejamento urbano da cidade, 
Além da catedral, de vários edifícios e residências, Niemeyer também projetou o Palácio do Planalto (1958), o Palácio da Alvorada, e o Congresso Nacional







Já em 1983, projeta a Passarela do Samba no RJ (Praça da Apoteose):


Memorial da América Latina (São Paulo, 1987)


Museu de Arte Contemporânea - MAC  (Baía de Guanabara, Niterói - R.J, 1991)



Museu Oscar Niemeyer - Curitiba - PR (2001)


Monumento 500 anos de São Vicente - S.P / Ilha Porchat (2002)



Roberto Burle Marx
Formado pela Escola Nacional de Belas Artes como artista plástico, foi renomado internacionalmente ao exercer a profissão de arquiteto-paisagista. Embora grande parte de suas obras estão no Rio de Janeiro, podemos encontrar várias outras ao redor do mundo.
Os primeiro projetos paisagístico de Burle Marx, foram: paisagismo para a residência da família Schwartz no Rio de Janeiro em 1932 e em 1934 - Recife/PE - A Praça da Casa Forte:
Fez uso intenso da vegetação nacional, sendo convidado para integrar a equipe de arquitetos do Ministério da Educação e da Saúde, realizando todo o cenário paisagístico do local. O terraço-jardim que projetou para o Edifício Capanema, é um marco na Arquitetura Paisagística Moderna.

A partir do Capanema, Burle Marx passou a trabalhar com uma linguagem bastante orgânica e evolutiva, identificando-a muito com vanguardas artísticas como o abstracionismo, o concretismo, o construtivismo, entre outras. As plantas baixas dos seus projetos, lembram muitas vezes as telas abstratas, nas quais os espaços criados privilegiam a formação de recantos, e caminhos através dos elementos de vegetação nativa


Burle Marx projetou mais de 2000 projetos paisagísticos ao longo de sua carreira, dentre eles:

1953 - Projeta os Jardins da Cidade Universitária da Universidade do Brasil, Rio de Janeiro.
1953 - Projeta o Jardim do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte.
1954 - Realiza o projeto paisagístico para o Parque Ibirapuera, em São Paulo, SP (não executado).
1955 - Projeta o paisagismo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM/RJ.
1961 - Projeta o paisagismo para o Eixo Monumental de Brasília.
1961 - Paisagismo do Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro.
1963 - Paisagismo do Balneário Municipal de Águas de Lindóia - SP
1968 - Projeta o paisagismo da Embaixada do Brasil em Washington, D.C. (Estados Unidos).
1970 - Projeta o paisagismo do Palácio Karnak, sede oficial do Governo do Piauí.
1971 - Recebe a Comenda da Ordem do Rio Branco do Itamaraty em Brasília.
1982 - Recebe o título Doutor honoris causa da Academia Real de Belas Artes de Haia (Holanda).
1982 - Recebe o título Doutor honoris causa do Royal College of Art em Londres (Inglaterra).
1985 - Doou seu sítio de Guaratiba com seu acervo ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN (Fundação Nacional Pró Memória).
1990 - Projeta o paisagismo do Parque Ipanema, em Ipatinga/MG.


(Aterro do Flamengo)



















Ecletismo e a Arquitetura

(Royal Pavilion, Brighton, Inglaterra)

Arquitetura Eclética é o nome atribuído à prática acadêmica do mundo ocidental, ocorrida entre as últimas décadas dos século XIX e primeiras do século XX, orientada para questões estilísticas, segundo a qual todos os estilos e tendências históricas da tradição ocidental – grego, romano, gótico, renascentista, barroco, juntamente com arquiteturas exóticas – chinesa, japonesa, indiana, islâmica – são considerados, isoladamente ou conjugados entre si, como tipos ou  modelos para edifícios a serem projetados, podendo ainda fornecer figuras para a composição dos seus murais.                                                                                                                                            

O Ecletismo foi uma tendência de arquitetura muito popular, devido ao fato, de que o arquiteto e seu cliente (média e alta burguesia) falavam a mesma língua, e ambos queriam a mesma coisa. Tal realidade era diferente de outros movimentos modernos de vanguarda, por exemplo, que faziam uma arquitetura intelectualizada, utilizando conceitos que exigiam um nível de abstração e conhecimento, que o público ainda não possuía.
(Galleria Vittorio Emanuele de Milão - Itália)

A prática eclética serviu bem ao público burguês de então, e os problemas “higiênicos” (crescimento descontrolado da população das cidades industriais - epidemias - sistema de esgoto e drenagem precários); funcionais, tecnológicos, e de conforto, foram nivelados aos problemas estéticos e estilísticos. É neste momento que ocorre a dissociação entre o construtivismo e a arquitetura, o que muitas vezes vai exigir a
colaboração entre um engenheiro e um arquiteto nas grandes obras, como estações ferroviárias, nos mercados, museus, teatros, etc. E ao arquiteto, nesta época, foi reservado um papel secundário, segundo uma crítica pejorativa que durou até meados do século XX, tachando-o de “decorador de fachadas.”
(Petit Palais de Paris - França)

(Palácio de Reichstag im Winter - Berlim - Alemanha)


No final do século XIX e início do século XX, a arquitetura eclética passa a conviver com outras tendências  dissidentes, como o  Art Nouveau, o Expressionismo, e mesmo o Movimento Moderno.

O Ecletismo no Brasil

Seu auge no Brasil surge nas primeiras décadas do séc. XX, com um grande número de construções públicas e privadas em todo o país, incluindo palácios de governo, teatros, colégios, inclusive influenciando as elites nas construções das suas mansões, até as camadas sociais mais baixas, que também começa a erguer suas residências num estilo eclético simplificado, dentro de seus recursos limitados.
Na medida em que o Estado brasileiro desejava se afirmar internacionalmente junto às grandes potências capitalistas, edificando em larga escala segundo os princípios mais "modernos" e internacionalizantes, uma burguesia emergente colaborava na proliferação de edificações monumentais, com interiores extremamente luxuosos e fachadas sobrecarregadas de ornamentos, a fim garantir sua aparência, seu "status", e igualmente expandir o mercado da construção civil, e o sistema de produção que ela mesma administrava.
Entre os arquitetos que mais se destacaram nesta época, estão Filinto Santoro, atuando em várias partes do Brasil, Ramos de Azevedo, e Domiziano Rossi em São Paulo. No Rio de Janeiro, destacou-se o arquiteto Heitor de Meloe no Rio Grande do Sul, Theodor Wiederspahh. Vejamos algumas obras:

(Teatro Municipal de São Paulo - Ramos de Azevedo, Domiziano Rossi)

(Pinacoteca do Estado de São Paulo - Ramos de Azevedo, Domiziano Rossi)

(Palácio das Indústrias de Sâo Paulo - Domiziano Rossi)

(A antiga Cervejaria Brahma de Porto Alegre -RS - Theodor Wiederspahh)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Arquitetura Indígena no Brasil

Em frente a grande precariedade de dados históricos disponíveis, e a grande diversidade de culturas indígenas brasileiras, fica quase que impossível retratar cada uma delas em particular.
Sabemos que o Brasil sempre foi habitado por índios antes do descobrimento, e depois houve o contato com os jesuítas, com os colonizadores, os negros africanos, os bandeirantes, ao longo dos anos, caracterizando-se em uma rica fusão de culturas, exceto aquelas regiões mais distantes do litoral, aonde a ação colonizadora não penetrou, ainda prevalece uma forte influência tipicamente brasileira.

Mas por que "índio"? Só a título de lembrança ou curiosidade, quando os portugueses e jesuítas chegaram no Brasil, eles achavam que tinham chegado na Índia. Então, aos nativos que habitavam o litoral, foram classificados como "Tupi" (língua solta), e os nativos do interior como "Tapuia" (língua travada), dividiam-se em três grupos - Caraíbas (canibais do Amazonas), Aruaques (ilhotas do Amazonas próximas do Oceano Atlântico) e Jês (região central).

Voltando a arquitetura indígena...

Aldeia ou Taba


É formada por um conjunto de 04 a 10 ocas, aonde residem várias famílias indígenas (ascendentes e descendentes), podendo chegar à 400 pessoas.
A forma mais comum presente nas habitações indígenas são as aldeias, também conhecidas por tabas. Tal solução arquitetônica, foi utilizada em grande escala pelos índios tupis, e índios guaranis do sul do Brasil.
Essas construções são distribuídas de forma ortogonal, de modo a formar uma grande praça central, na qual podem ser realizadas atividades cotidianas, festas, cerimônias e rituais sagrados. Cada uma dessas casas é denominada de "oguassu, maioca ou maloca (casa grande)", sendo dividida internamente pela estrutura do telhado em espaços quadrados de 6m x 6 metros, onde reside em cada uma delas, uma família. Este espaço é denominado oca (tupi) ou oga (guarani). O tamanho de cada casa, depende do tamanho da tribo, podendo chegar a mais de 200 metros de comprimento. Geralmente, não passavam de 150 metros de comprimento, por cerca de 12 metros de largura. Os indígenas eram sedentários. Quando uma casa ficava velha, e a cobertura em palha extremamente seca, era queimada e outra de igual formato era construída em seu lugar. A maneira de residir era muito controlada, respeitava-se ainda a vivência dos demais habitantes da casa, antes de tomar qualquer decisão.
A casa era o lugar preferencial das mulheres. Ali elas exerciam suas atividades do lar, e no corredor central, próximo aos pilares que sustentam a cumeeira, preparavam o alimento da tribo. No final deste corredor havia uma entrada em cada extremidade da maloca, e no meio da casa, no lado que dava para o pátio, havia uma terceira. Esses acessos eram baixos, obrigando cada pessoa a se abaixar em sinal de respeito. Este tipo de oca circular, com a cumeeira apontada para cima, foi muito utilizada pelas tribos Jês e Xavantes. Toda construção é realizada pelos homens, as mulheres apenas socam o barro que irá ser assentado no chão.


A tribo dos índios Carajás ocupavam as margens do rio Araguaia, e desenvolveram uma forma de aldeia ainda mais complexa. Construíam casas com estrutura reforçada, constituídas por 3 arcos paralelos, cada um formado por um par de pilares fincados no chão, e vigas para que possam ser amarradas, em suas extremidades, na cumeeira. Os carajás antigos já costumavam fazer suas casas no formato retangular.



Já a tribo dos índios do Xingu (centro-oeste), constroem suas ocas fazendo referência ao corpo de um animal ou de um homem. A parte frontal da habitação determina que seja o peitoral, assim como os fundos sejam as costas. O chão representa a solidez da casa, aonde serão cravados os pilares de sustentação, e toda a sua estrutura. A ala íntima da casa, é diagramada pelos semi-círculos laterais, e são designados como  as "nádegas" da casa. A vedação com ripas de madeira e bambu, referem-se as costelas, e o revestimento das paredes seriam os pêlos ou cabelos, assim como a cumeeira faz referência a cabeça. O tipo de construção dos xinguanos se assemelha muito com a tribo dos índios Morubos, pois ambas  construções são antropomórficas, associando a construção a uma espécie de proteção xamânica.




Yanomami

Os índios Yanomamis, ocupam a região norte do Amazonas, e constroem suas aldeias em formato circular, chamando-as de "shabonos". Seu dimensionamento é feito conforme o número de ocupantes que abriga, e normalmente reside apenas um grupo familiar em cada casa.
Possui um grande vão central, chegando a quase 15 metros, que é coberto por folhas de palmeiras, sobre a estrutura de galhos e varas. O homem cuida da construção em si, enquanto a mulher fica responsável para coletar os galhos, os cipos que servirão para amarração das estruturas, e as folhagens de bananeira para vedação.



O que diferencia uma aldeia e outra entre as tribos indígenas brasileiras, é a condição climática, e a disponibilidade de materiais regionais, como elementos e detalhes construtivos. 
A maior parte das aldeias utilizava a amarração de cipós nas estruturas de madeira. Vejamos alguns tipos:
Assim como utilizavam entalhes no madeiramento das estruturas para facilitar o encaixe das peças, e a amarração com os cipós:

Herdamos alguns termos indígenas na arquitetura:  biboca (casa pequena),  caiçara (palhoça),  capuaba (casa da roça),  copé (cabana de palha),  copiar (varanda),  favela (casa miserável cujo significado indígena é urtiga), jirau (armação para guardar apetrechos, cama de varas), maloca (o mesmo que favela; e, em tupi quer dizer casa grande), oca (cabana ; em tupi significa casa), poperi (abrigo provisório), taba (aldeia indígena),  tapiri (choça),  tijupá  ou  tijupara  (cabana de índio), urupema (peneira; por extensão, ramado semelhante usado na vedação de portas, janelas e de forro). Quando os termos não são pejorativos, trata-se de construções que o colonizador adotou da cultura indígena: carijó, barbaquá: (instalações para produção de erva-mate); ou são de origem das culturas inca ou asteca (cancha, chácara, galpão, tambo). 
Uma das características das casas indígenas é sua construção integral com materiais vegetais. Isso tem levado alguns autores a identificar qualquer tipo de construção vegetal como sendo de influência indígena. É necessário ter muito cuidado para estas qualificações! Precisamos estar atentos para a natureza e a etnia das ocupações, para não nos confundirmos.























segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Arquitetura Neoclássica - O Romantismo

Essa tendência se desenvolveu no final do séc. XVIII e nos primeiros trinta anos do séc. XIX, marcada pela forte influência burguesa da época, após a Revolução Francesa e o Império de Napoleão.
O objetivo do Neoclassicismo era resgatar os princípios da antiguidade greco-romana e do renascimento italiano.
A Arquitetura Neoclássica se destaca pela volumetria horizontal, transparecendo ao observador a idéia de grandiosidade em suas fachadas, assim como a noção de conforto à nível interno. Surge uma arquitetura "compacta" se contrapondo com o estilo Barroco. Aqui, a verticalidade é meramente secundária. O projeto arquitetônico volta-se para a idealização de plantas quadradas, retangulares. Revaloriza-se os materiais de construção pelas suas próprias características (sem enganos visuais), pedra é pedra, mármore é mármore, etc. A arquitetura desta época busca refletir os interesses econômicos e políticos da sociedade como um todo, e não apenas a centralização soberana de um grupo, como ocorria na arquitetura sacra Barroca.


Igreja de Santa Genoveva (Panteão Nacional de Paris) construída pelo arquiteto Jacques Germain Souflot. A planta dispõe-se em forma de cruz grega, com um pórtico de seis colunas e um frontão onde se encontram diversas esculturas de David d´Angers. Após a Revolução Francesa, a igreja foi transformada no Panteão Nacional de Paris.

Na América do Norte, destaca-se o Capitólio de Washington, prédio que hoje serve como a sede do legislativo dos Estados Unidos da América. O edifício se destaca por uma cúpula central e por duas alas, cada qual para uma das câmaras do Congresso: na ala norte encontra-se o Senado, enquanto na ala sul situa-se a Câmara dos Representantes. Acima destas câmaras, localizam-se galerias a partir das quais os visitantes podem assistir as sessões. E sobre a cúpula encontramos a estátua da liberdade. O Capitólio de Washington está implantado a 1.6 Km da Casa Branca.


Brasil


A Arquitetura Neoclássica no Brasil, se deu na época da vinda da família real para o Brasil e durante a Independência, trazendo uma cultura mais requintada para o novo solo na qual se instalava. Buscando inspiração na antiguidade clássica, e satisfazer suas próprias necessidades, procuraram criar bibliotecas, teatros, colégios, e é claro vários palacetes!

O Neoclassicismo Brasileiro, se dividia praticamente em duas correntes - Uma voltada ao estilo europeu, provindo das importações da côrte portuguesa, e outro mais simplificado nascido entre os proprietários de terras e escravos. Se uma parte da arquitetura neoclássica brasileira refletia a construção de órgãos públicos e oficiais, a outra limitava-se em grandes casarões e palacetes das famílias de alto poder aquisitivo, espalhadas pelo litoral brasileiro.
Sendo assim, as arquiteturas neoclássicas brasileiras são de pequeno vulto, visto que as de grande vulto necessitavam de mão-de-obra de qualidade, e alguns materiais de construção dependiam das importações e da aprovação do Império. Mesmo assim, sem triar o mérito do estilo, o mesmo deixou várias heranças no Brasil, inclusive semeou um novo estilo que estaria por vir... O Ecletismo.

No Brasil, um marco da Arquitetura Neoclássica, é a Escola de Artes e Ofícios - RJ (Imperial Academia de Belas Artes)






Palácio Imperial do Rio de Janeiro-RJ
Também conhecido por Palácio São Cristóvão e Quinta da Boa Vista, foi o local aonde residia a família real  na época do Império. Atualmente abriga a sede do Zoológico Municipal do Rio de Janeiro.












Arquitetura Barroca e Rococó


Originalmente nasceu na Itália, mas depois o Barroco se alastrou por toda Europa, chegando inclusive ao continente americano, trazido por colonizadores portugueses e espanhóis.

Embora muitos saibam que o estilo Barroco expresse um meio de propagar o catolicismo e ampliar sua influência no meio cultural do século XVI e XVII, o Barroco na arquitetura traduz uma libertação espacial das geometrias convencionais vista até o presente momento. O Barroco implica na negação absoluta das divisões dos espaços vazios, da interpretação horizontal ou vertical de formas arquitetônicas complexas, vistas anteriormente. As obras barrocas rompem o equilíbrio entre o sentimento e a razão, ou entre a arte e a ciência que os renascentistas procuravam demonstrar em suas construções. No Barroco predomina a monumentalidade, as emoções exageradas, a arte-sacra e rebuscada,  e não o racionalismo renascentista.


Um bom exemplo da Arquitetura Barroca, é a Cúpula da Basílica de São Pedro, no Vaticano. A planta original da cúpula foi projetada por Michelangelo. Após sua morte, logo no início da construção da Basílica, as obras foram repassadas ao arquiteto Giacomo Della Porta.
















Também temos a Praça de São Pedro projetada por Bernini:
Vejam que a praça é de forma elíptica, cercadas por duas grandes colunatas cobertas, que se estendem em curva, uma para a esquerda e outra para a direita, estando suas extremidades ligadas a fachada principal da Basílica de S.Pedro. Sobre essas colunas estão dispostas 162 estatuas em mármore, cada uma com 2.70m de altura.







Outro exemplo da Arquitetura Barroca, é o Palácio de Versalhes na França:




O Palácio de Versalhes foi construído inicialmente pelo arquiteto francês Louis Le Vaul em 1.660 a pedido do rei Luís XIV. Após a morte de Le Vau, sua construção foi finalizada pelo arquiteto Jules Hardouin Mansart.  

Se para os renascentistas os conceitos de volume e simetria caminhavam juntos, para a arquitetura barroca o que valia era a teatralidade e obras monumentais, provocando diferentes efeitos visuais, tanto no exterior, quanto no interior das construções. 

Na maior parte da Europa, foram construídos palácios tão imponentes como o de Versalhes, com imensos jardins, aproximando-se do estilo que estaria por vir - o Neoclassicismo.

No Brasil, o estilo Barroco foi trazido pelos Jesuítas católicos no séc. XVI, no qual predominam edificações de caráter religioso.

Um bom exemplo da arquitetura barroca no Brasil, é a Igreja de São Francisco, em Salvador-BA. Seu interior é toda esculpida em ouro.

Outro exemplo da arquitetura barroca no Brasil, é a Casa da Câmara e Cadeia Pública de Ouro Preto - MG, conhecida por Museu da Inconfidência Mineira




Arquitetura Rococó

Já o estilo Rococó se manifestou na arquitetura através dos espaços interiores, revestindo e ornamentando paredes dos salões, com cores claras e suaves, grande quantidade de espelhos, motivos florais, todos decorados com estuque. Porém, a parte exterior da edificação de uma arquitetura estilo Rococó, reflete um Barroco sem exageros, relembrando o estilo renascentista italiano, como podemos observar no projeto do arquiteto Jacques-Ange Gabriel - "Petit Trianon" (1762):